Trump discursa no Congresso em meio à crise com o Irã e promete 'enfrentar ameaças'
O presidente Donald Trump discursa em uma sessão conjunta do Congresso no Capitólio dos EUA em 4 de março de 2025, em Washington, DC. O vice-presidente JD Va...
O presidente Donald Trump discursa em uma sessão conjunta do Congresso no Capitólio dos EUA em 4 de março de 2025, em Washington, DC. O vice-presidente JD Vance e o presidente da Câmara, Mike Johnson (R-LA), aplaudem atrás dele. Win McNamee/Pool via REUTERS O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, faz nesta terça-feira (24) o tradicional discurso do “Estado da União”. Na fala, o presidente deve falar sobre o Irã e afirmará que está pronto para "enfrentar ameaças" contra os EUA. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Desta vez, Trump aposta em um discurso para animar a própria base eleitoral. A ideia é manter o apoio dos eleitores antes das eleições de meio de mandato. Também conhecidas como “midterms”, as eleições estão marcadas para 3 de novembro. Toda a Câmara será renovada. No Senado, um terço das cadeiras estará em disputa. Atualmente, as duas Casas são controladas pelos republicanos, partido de Trump. Pesquisas indicam que o governo pode perder ao menos uma delas. Esse cenário preocupa aliados do presidente. Trechos do discurso divulgados antecipadamente indicam que o presidente deve adotar um tom de exaltação do próprio governo. Em uma das passagens, ele afirma ter promovido “uma transformação como ninguém jamais viu”. A expectativa é que Trump destaque ações na política externa. Ele deve citar o cessar-fogo na Faixa de Gaza, elogiar a operação dos EUA contra alvos nucleares do Irã e comentar o aumento das tensões no Oriente Médio. “Como presidente, farei a paz sempre que puder, mas nunca hesitarei em enfrentar ameaças à América onde for necessário”, afirma o trecho antecipado. Trump deve destacar ainda ações militares e de segurança no hemisfério ocidental. Segundo os trechos divulgados, ele afirmará que os Estados Unidos estão “restaurando a segurança e a predominância americana” na região em uma referência às operações contra o narcotráfico. Economia e mais O presidente Donald Trump e a primeira-dama Melania Trump deixam a Casa Branca para ir o discurso do Estado da União Manuel Balce Ceneta/AP Photo A economia deve ocupar parte central do discurso, já que os americanos continuam preocupados com o custo de vida. Trump culpa os desafios econômicos ao governo anterior, de Joe Biden, e afirma que a situação das famílias está melhorando. “Daqui para frente, fábricas, empregos, investimentos e trilhões de dólares continuarão entrando nos Estados Unidos, porque finalmente temos um presidente que coloca a América em primeiro lugar”, afirma um trecho vazado. Mais cedo, a imprensa americana informou que o presidente também usará o discurso para criticar uma decisão da Suprema Corte que derrubou tarifas impostas por ele com base em uma lei de 1977. Ministros do tribunal acompanham a sessão no plenário. Trump também deve defender a política anti-imigração, um dos principais eixos do governo. As operações recentes provocaram protestos após a morte de dois cidadãos americanos durante ações de agentes federais. No discurso, o presidente ainda deve: anunciar um acordo para que empresas de tecnologia envolvidas com inteligência artificial paguem tarifas de eletricidade mais altas em regiões com data centers; pressionar o Congresso por aumento no financiamento militar; cobrar a aprovação de uma lei que exija documento de identidade e comprovação de cidadania para votar; citar recordes nas bolsas de valores e defender cortes de impostos. LEIA TAMBÉM Baixo estoque de munição e risco de guerra contra o Irã preocupam chefe militar dos EUA, diz jornal; Trump nega Helicópteros, ajuda dos EUA e mais de 70 mortes: como foi a operação que matou 'El Mencho' e provocou onda de violência no México Presidente da Coreia do Sul publica vídeo feito por IA em que aparece abraçando Lula na infância: 'Somos irmãos' O discurso Obama faz o discurso do Estado da União em 2015 GloboNews O discurso sobre o Estado da União é realizado desde 1790, quando o presidente George Washington fez uma fala breve, com pouco mais de mil palavras. Ao longo dos anos, a tradição mudou, e os discursos ficaram cada vez mais longos e midiáticos. Em 1801, Thomas Jefferson decidiu romper com a prática de falar pessoalmente ao Congresso e passou a enviar a mensagem por escrito. O formato foi mantido por mais de um século. Apenas em 1913, Woodrow Wilson retomou o modelo presencial. Em 1947, o presidente Harry Truman foi o primeiro a fazer o discurso com transmissão pela televisão. Quase 20 anos depois, em 1965, o presidente Lyndon Johnson decidiu realizá-lo em horário nobre para ampliar a audiência. Com o aumento da polarização, tornou-se comum que congressistas do partido do presidente se levantem para aplaudi-lo, enquanto os opositores permanecem sentados — e, em alguns casos, fazem provocações. Biden, por exemplo, foi chamado de mentiroso por uma deputada em 2023. Oficialmente, o discurso mais longo foi feito pelo presidente Bill Clinton. A fala durou 1 hora, 28 minutos e 49 segundos. No ano passado, o discurso de Trump durou 1 hora, 39 minutos e 32 segundos. No entanto, como ele ainda estava no primeiro ano de governo, o pronunciamento não é considerado oficialmente um Estado da União e é classificado como uma sessão conjunta do Congresso. VÍDEOS: mais assistidos do g1