‘Sem perspectiva’: brasileira relata incerteza em Doha e preocupação com saúde da avó após cancelamento de voo por guerra no Oriente Médio
Guerra no Oriente Médio: avó e neta de Campinas completam 10 dias sem voltar ao Brasil A moradora de Campinas (SP) Danielle Sarabia e a avó estão retidas em...
Guerra no Oriente Médio: avó e neta de Campinas completam 10 dias sem voltar ao Brasil A moradora de Campinas (SP) Danielle Sarabia e a avó estão retidas em Doha, capital do Catar, desde o dia 28 de fevereiro, quando o voo de conexão para o Brasil foi cancelado. Elas voltavam de uma viagem de três meses ao Japão para visitar familiares e fariam escala de 18 horas no Catar. A dupla foi direcionada para um hotel pela companhia aérea após determinação de retirada de passageiros do aeroporto que ultrapassassem 24 horas em trânsito. Desde então, não há previsão de embarque para o Brasil, segundo Danielle. Danielle informou que a principal preocupação é com a saúde da avó, que tem diabetes. Ela contou que o índice glicêmico da avó tem se mantido alto, mesmo com a administrção de remédios e insulina, o que ela associa ao estresse. Paramédicos foram ao hotel, avaliaram sinais e buscaram tranquilizar a família, mas o controle segue difícil. Enquanto aguarda, Danielle disse tentar “racionalizar para não desmoronar". “Só vou relaxar quando chegar em casa”, desabafou. 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp Israel, Irã, Emirados Árabes e Catar fecharam seus espaços aéreos após o início do conflito entre EUA, Isarael e Irã, provocando impactos em rotas internacionais e obrigando empresas a redirecionar ou cancelar operações. 🔎 O conflito começou quando EUA e Israel lançaram bombardeios contra o território iraniano em 28 de fevereiro. Os ataques mataram o então líder supremo do Irã, Ali Khamenei, além de autoridades militares do país. Como resposta, o Irã lançou ataques contra Israel e países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, caso do Catar, dos Emirados Árabes e do Kuwait. Situação em Doha Fumaça sobe de uma área na direção da Base Aérea de Al Udeid, que abriga a Força Aérea do Emirado do Catar e forças estrangeiras, incluindo os EUA, em Doha, em 28 de fevereiro de 2026, após um suposto ataque iraniano. MAHMUD HAMS / AFP Danielle afirmou que, após 24 horas no terminal, funcionários informaram que todos os passageiros em trânsito seriam removidos do aeroporto. “Chegou uma movimentação estranha, as pessoas fazendo fila… Aí olhei e os voos haviam sido cancelados. […] Disseram que não podia ficar mais de 24 horas no aeroporto e começaram a mandar para hotel”, relatou Danielle. A companhia aérea providenciou hospedagem e alimentação, segundo Danielle. “Nesse sentido, estamos muito bem atendidas”, disse. Porém, a incerteza permanece: “Sem perspectiva nenhuma de quando retornar ao Brasil”. “Foram liberados alguns voos para outros países, como cidades da Europa, em corredores seguros organizados por esses governos. O Brasil ainda não fez movimentação nesse sentido, segundo nos informaram”, disse. A brasileira conta que ouviu alarmes de alerta e, de longe, o barulho de explosões. “Já presenciamos de ouvir os alarmes, mas nada muito visceral”, contou. "É muito complicado. Teve dias que eu 'tava' esperançosa de que logo a gente ia receber uma ligação 'pra' voltar, e aí no outro dia a gente escuta o bombardeio da janela do quarto, aí já dá um desânimo tremendo", relatou Danielle. Saúde da avó e dificuldades com a embaixada Danielle afirmou que buscou a embaixada brasileira em Doha para receber apoio com medicação, mas recebeu a orientação de comprar os remédios necessários por aplicativo. A compra foi feita por conta da família; segundo Danielle, não houve fornecimento via representação brasileira. Danielle relatou dificuldade para obter atualizações da embaixada do Brasil em Doha e do Itamaraty. Ela afirma ter sido informada de que a embaixada “só pode oferecer orientações” e que assistência médica não poderia ser custeada. "A única ação que eles estão comunicando a nós, que eles estão fazendo, é que eles estão estão conversando com o governo da Arábia Saudita para facilitar a emissão de vistos de brasileiros. [...] Causa esse sentimento de desamparo, ansiedade, e não saber quando a gente vai conseguir voltar para casa", lamentou. Guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã começa a expandir a tensão para o Mar Mediterrâneo Jornal Nacional/ Reprodução Danielle disse que soube de outros brasileiros que tentaram embarcar em voos de repatriação para cidades europeias organizados por outros países, arcando com trechos adicionais até o Brasil. Porém, segundo ela, os voos já estariam lotados. “Fica ainda mais importante que exista uma ação governamental para retirar os repatriados daqui”, disse Danielle. Ela também ouviu relatos de brasileiros que tentavam realizar o trajeto por terra até a Arábia Saudita, cidade em que o aeroporto segue em funcionamento. Em situação normal, o trajeto duraria cerca de 6 horas, mas com a escalada do conflito poderia passar de 11 horas devido a trocas de veículo e restrições — alternativa não recomendada por autoridades. “Gostaria de um retorno das autoridades brasileiras, Itamaraty e Embaixada, para que o assunto fosse discutido e nos fosse informado. […] Existem voos de repatriados para cidades às quais poderíamos nos conectar de volta ao Brasil”, afirmou. O Ministério das Relações Exteriores disse que acompanha a situação de brasileiros no Oriente Médio desde o início da crise e presta assitência consular por meio de embaixadas na região. O Governo mantém contato com autoridades locais, outras embaixadas e comunidades brasileiras para monitorar a segurança e orientar cidadãos. O Itamaraty informou que está em contato com as autoridades do Catar para retomar a rota Doha-São Paulo. Também negocia transporte terrestre seguro de Doha até o aeroporto na Arábia Saudita, onde o espaço já está reaberto. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias da região na página do g1 Campinas