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Projeto de cohousing criado por idosos será inaugurado no segundo semestre no Rio de Janeiro

Conheça o ‘Cohousing’, um tipo de república só para quem tem mais de 60 anos De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o n...

Projeto de cohousing criado por idosos será inaugurado no segundo semestre no Rio de Janeiro
Projeto de cohousing criado por idosos será inaugurado no segundo semestre no Rio de Janeiro (Foto: Reprodução)

Conheça o ‘Cohousing’, um tipo de república só para quem tem mais de 60 anos De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas que vivem sozinhas mais que dobrou entre 2012 e 2025: saltou de 7,5 milhões para 15,6 milhões. Os domicílios com um único morador representam 19,7% do total – e o envelhecimento do perfil demográfico do país é um dos fatores que explicam o novo cenário. O contingente acima dos 60 anos já compõe 16,6% da população e ocupava 41,2% dos lares unipessoais no ano passado. O Rio de Janeiro é o estado com a maior proporção dessas habitações (23,5%), seguido pela Bahia (22,3%) e pelo Rio Grande do Sul (21,9%). Membros da Vila Puri acompanham as obras Acervo pessoal Diante desse panorama, é convidativo o conceito do cohousing, que vem ganhando cada vez mais adeptos, inclusive no Brasil. Criado na Escandinávia, o termo pode ser traduzido como coabitação colaborativa ou moradia compartilhada. O objetivo é equilibrar privacidade (cada um tem sua casa) com a vida comunitária. No Brejal, que distrito do município de Petrópolis, na Região Serrana fluminense, a Vila Puri deve ser inaugurada no fim do segundo semestre, e servirá de inspiração. As primeiras 11 casas (de um total de 18) serão entregues em outubro. As moradias têm entre 64 e 90 metros quadrados, além de uma área coletiva com salão para refeições comunitárias, lavanderia e quarto de hóspedes. Haverá também piscina e academia. A ideia surgiu em 2018 e, apesar do isolamento social, foi ganhando densidade durante a pandemia, como me contou a arquiteta Cristiana Carvalho, uma das integrantes da associação à frente da iniciativa. Uma breve explicação: o modelo prevê a propriedade de uma cota que dá direito ao uso de determinada casa, isto é, ninguém compra apenas um imóvel, e sim uma fatia do empreendimento. Aliás, tudo é baseado no conceito da sociocracia: “A tomada de decisão se dá por consentimento, ou seja, as pessoas discutem, fundamentam suas objeções e o resultado não precisa ser um consenso no qual haja concordância total. O objetivo é que todos compartilhem a opinião de que o resultado do que foi debatido atende ao projeto”, detalha. Da esquerda para a direita, Cristiana Carvalho, Marília Linhares, Mônica Mandarino e Vera Vital Brasil, futuras moradoras Acervo pessoal Nem todo mundo é capaz de se adaptar ao cohousing, porque não se trata de um condomínio tradicional: é indispensável uma certa afinidade de ideias. Por isso, a associação recebe os interessados, lhes dá todas as informações necessárias e aí se inicia uma espécie de “namoro”. Nesse processo de aproximação, os candidatos se tornam membros provisórios e têm tempo para avaliar se comungam os valores da vida comunitária. “A ideia do coletivo norteia todas as ações. O universo de aprendizado é incrível: temos nos dedicado a estudar tudo o que se relaciona à vila: uso de energia solar, métodos construtivos sustentáveis, manejo de vegetação. Apesar de a maioria ser composta por mulheres, e todas acima dos 60, esse é, principalmente, um projeto de futuro para nós”, acrescenta Cristiana Carvalho. O grupo está em ótima companhia. Em Campinas, a Vila ConViver, idealizada pela Associação de Docentes da Unicamp por volta de 2013, teve seu projeto arquitetônico aprovado e segue para o início das obras. Nos Estados Unidos, o número de norte-americanos acima dos 65 dividindo a casa com pessoas que não são da família cresceu 88%, de 470 mil para um milhão de indivíduos. No Reino Unido, a Older Women´s Co-Housing (Moradia Compartilhada de Mulheres Idosas) reúne integrantes entre os 50 e 80 anos que vivem em um edifício administrado por elas próprias. No Reino Unido, a Older Women´s Co-Housing (Moradia Compartilhada de Mulheres Idosas) reúne integrantes entre os 50 e 80 anos Divulgação