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Prefeita de Campo Grande mantém decisão que proíbe mulheres trans de usar banheiros femininos

Sem banheiro para trans A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), publicou neste sábado (25) um vídeo nas redes sociais em que reafirma a decisão de sa...

Prefeita de Campo Grande mantém decisão que proíbe mulheres trans de usar banheiros femininos
Prefeita de Campo Grande mantém decisão que proíbe mulheres trans de usar banheiros femininos (Foto: Reprodução)

Sem banheiro para trans A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), publicou neste sábado (25) um vídeo nas redes sociais em que reafirma a decisão de sancionar a lei que proíbe mulheres trans de usarem banheiros femininos na capital. A medida foi aprovada pela Câmara Municipal e gerou repercussão. Agora, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) analisa se a lei é constitucional. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp No vídeo, a prefeita diz que sancionou a lei para, segundo ela, “resguardar o direito das mulheres”. Ela também afirmou que a decisão foi tomada diante do que classificou como uma situação “absurda”. “Eu respeito todas as opções sexuais, mas cheguei ao óbvio de ter que sancionar uma lei para resguardar o direito das mulheres”, afirmou. Em outro trecho, Adriane Lopes afirmou que, na visão dela, a lei serve para proteger a identidade feminina e os direitos das mulheres no município. “Ou a gente resguarda os nossos direitos, ou daqui a pouco nós vamos perder a identidade de mulher”, disse. A prefeita também disse que pretende manter a posição e seguir defendendo a medida. “Hoje, como mulher, como prefeita, eu vou lutar pelas mulheres, resguardando os nossos direitos”, completou. MPMS analisa lei O MPMS está analisando a lei que proíbe mulheres transexuais de usarem banheiros femininos em estabelecimentos públicos e privados de Campo Grande. O objetivo é avaliar quais medidas podem ser adotadas diante da nova legislação. O órgão recebeu dois pedidos para análise de possível inconstitucionalidade da norma e para responsabilização de envolvidos. As duas representações foram feitas por uma advogada trans. Segundo o MPMS, o caso está sob análise da Procuradoria-Geral Adjunta de Justiça Legislativa, setor responsável pelo acompanhamento de leis. O procedimento administrativo segue em andamento para verificar quais providências podem ser tomadas. Lei virou debate Desde que foi aprovado, o projeto já provocava discussões no plenário e mobilização de grupos favoráveis e contrários. Com a sanção da prefeita Adriane Lopes (PP), o debate voltou a ganhar força e passou a envolver temas como segurança, direitos e identidade de gênero. Nas redes sociais, o autor da lei afirmou que a medida atende a uma demanda de mulheres que dizem se sentir constrangidas e inseguras em espaços públicos "[...] Esse projeto nasceu da realidade de situações que já estavam acontecendo de mulheres constrangidas, inseguras, sem saber a quem recorrer [...]", disse Salineiro, em vídeo publicado nas redes sociais. Já representantes do movimento trans e da Ordem dos Advogados do Brasil afirmam que a lei é discriminatória e pode ser inconstitucional. "É inconstitucional. Fere os meus direitos e os garantidos pela Constituição Federal Brasileira, projeto esse que vai contra as decisões do STF (Supremo Tribunal Federal), que respeita as identidades de gênero [...]", destacou Emy Santos, representante da Associação de Trans e Travestis de Mato Grosso do Sul (ATTMS). Ao g1, a presidente da Comissão de Diversidade da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB-MS), Janaina Menezes, criticou a lei. Ela afirmou que a norma tem “vícios jurídicos insanáveis” e pode violar a dignidade da pessoa humana. Também disse que o texto pode contrariar entendimentos já firmados pelo STF e tratados internacionais. Segundo Janaina, a comissão deve adotar medidas para contestar a lei. Para ela, a proteção às mulheres não pode ser usada como justificativa para excluir outras identidades. Bandeira trans Reprodução | Shutterstock Veja vídeos de Mato Grosso do Sul