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Por que Césio-137 tem brilho azul?

Os 30 anos da tragédia do Césio-137 O brilho azul do césio-137 foi uma das principais características que chamaram atenção durante o maior desastre radiol...

Por que Césio-137 tem brilho azul?
Por que Césio-137 tem brilho azul? (Foto: Reprodução)

Os 30 anos da tragédia do Césio-137 O brilho azul do césio-137 foi uma das principais características que chamaram atenção durante o maior desastre radiológico da história do país, ocorrido em Goiânia em 1987. Para entender o porquê do intenso brilho azul no escuro, o g1 entrevistou o professor de química Elias Yuki Ionashiro, da Universidade Federal de Goiás (UFG). CÉSIO-137: veja página especial sobre o acidente radiológico O professor explicou que o elemento, por si só, não emite luz visível. “O césio não era para emitir essa radiação azul”, afirmou. De acordo com ele, o fenômeno ocorre pela interação da radiação com o ambiente, especialmente na presença de umidade, gerando o chamado efeito Cherenkov, responsável pelo brilho azulado. “É um caso curioso que o brilho azul do césio não é pelo elemento. Os estudos indicam que a interação da radiação emitida pelo césio com o ar gera esse brilho luminoso”, destacou Elias. No caso do acidente em Goiânia, o especialista pontuou que o césio-137 estava na forma de cloreto de césio, semelhante ao sal de cozinha, o que facilitou sua absorção pelo organismo. “O problema maior foi porque ele era um composto que, além de estar na forma de pó, era um pó que estava solúvel”, ressaltou. A tragédia ganhou repercussão novamente após o lançamento de uma minissérie na Netflix, intitulada como Emergência Radioativa, que retrata a contaminação radiológica e os esforços para conter a tragédia. Césio-137 Divulgação/Netflix | Reprodução/TV Anhanguera Perigos da radiação Residência onde o equipamento com Césio-137 foi aberto Divulgação/Cnen Elias destacou que a radiação emitida pelo elemento é de alta energia, chamada de radiação ionizante. No corpo humano, ela é capaz de causar queimaduras e alterações no DNA, que aumentam o risco de câncer e podem até ser transmitidas para gerações futuras. “Quando as pessoas que tiveram exposição ao césio-137 fizeram o teste cromossômico, viram que grande parte tinha sofrido alteração genética”, relembrou. O que aconteceu com as vítimas do Césio-137? Como estão os locais atingidos pelo Césio-137? No entanto, há diferença entre radiação e contaminação. A radiação pode ser utilizada de forma controlada, como em exames médicos, mas a contaminação ocorre quando o material radioativo sai do controle e passa a emitir radiação continuamente no ambiente de forma perigosa. O professor revelou que a UFG estuda a criação de uma disciplina específica sobre o tema no curso de química, com o objetivo de formar professores mais preparados. A iniciativa busca garantir que o episódio continue sendo estudado e que tragédias semelhantes não voltem a acontecer. LEIA TAMBÉM: Césio-137: maior acidente radiológico da história deixou 4 mortos, 6 mil toneladas de lixo e ainda terá impacto por mais 200 anos Césio-137: Mãe de Leide das Neves, símbolo do acidente, desabafa após quase 40 anos: 'A gente revive tudo' VÍDEO: Vítimas do Césio-137 foram enterradas sob protesto de moradores e com cruzes sendo arremessadas Relembre o acidente Remoção de lixo radioativo de área contaminada pelo césio-137, em Goiânia, Goiás Carlos Costa/ O Popular O acidente radioativo teve início em 13 de setembro de 1987, quando Wagner Mota Pereira e Roberto Santos Alves retiraram um aparelho de radioterapia abandonado nas ruínas do Instituto Goiano de Radioterapia (IGR). Eles levaram a peça para a casa de Roberto, na Rua 57, onde removeram o lacre da cápsula que continha césio-137 na forma de pó, semelhante ao sal de cozinha, mas que emitia um intenso brilho azul no escuro. Em 18 de setembro, a peça foi vendida para Devair Alves Ferreira, dono de um ferro-velho, que ficou encantado com a luminosidade e distribuiu fragmentos da substância para familiares e amigos. Sem saber do perigo, as pessoas manipulavam o material, o que causou sintomas imediatos como náuseas, tonturas, vômitos e diarreia. A suspeita de que o pó era o culpado surgiu com Maria Gabriela, esposa de Devair, que em 28 de setembro levou a cápsula em uma sacola de plástico até a Vigilância Sanitária. O acidente foi oficialmente identificado no dia seguinte, 29 de setembro, pelo físico Walter Mendes, que confirmou os altos níveis de radiação e iniciou o isolamento das áreas afetadas. Quem é o físico que identificou o acidente com Césio-137 em Goiânia? Quem são as vítimas? Maria Gabriela, de 35 anos, e Leide das Neves, de 6, morreram vítimas do césio-137, em Goiás Reprodução/TV Anhanguera De acordo com informações divulgadas pelo Governo de Goiás, na época, um monitoramento realizado no Estádio Olímpico avaliou mais de 112.800 pessoas, das quais 249 apresentaram algum grau de contaminação e 129 necessitaram de acompanhamento médico permanente. A tragédia resultou em quatro vítimas diretas, que faleceram entre quatro e cinco semanas após a exposição devido à Síndrome Aguda da Radiação (SAR): Leide das Neves Ferreira: Um dos símbolos da tragédia, a menina de apenas 6 anos era filha de Ivo Ferreira, e foi a pessoa mais afetada por ter brincado com o pó e ingerido partículas. A criança morreu em 23 de outubro de 1987 e foi enterrada em um caixão de chumbo de 700 quilos para conter a radiação. Maria Gabriela Ferreira: Esposa de Devair e a pessoa responsável por evitar que a contaminação fosse ainda maior, ela adoeceu três dias após o contato e faleceu na mesma data que Leide, em 23 de outubro, aos 37 anos. Israel Batista dos Santos: Jovem de 20 anos era funcionário de Devair e trabalhou na remoção do chumbo da fonte. Ele faleceu em 27 de outubro. Admilson Alves de Souza: Aos 18 anos, ele também era um funcionário do ferro-velho, que manipulou a fonte radioativa e morreu em 28 de outubro. A tragédia gerou 6 mil toneladas de rejeitos radioativos, que estão armazenados de forma definitiva em depósitos em Abadia de Goiás. Atualmente, o Centro de Assistência aos Radioacidentados (CARA) continua monitorando a saúde das vítimas e de seus descendentes. Milhares de pessoas foram avaliadas na época do acidente com césio-137 e 129 apresentaram radiação no corpo Goiânia Goiás Reprodução/Cara 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás.