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Parte da seleção feminina de futebol iraniana deixa a Austrália após ofertas de asilo

Após serem chamadas de traidoras, atletas iranianas ganham asilo A seleção feminina de futebol do Irã deixou a Austrália sem seis de suas integrantes, apó...

Parte da seleção feminina de futebol iraniana deixa a Austrália após ofertas de asilo
Parte da seleção feminina de futebol iraniana deixa a Austrália após ofertas de asilo (Foto: Reprodução)

Após serem chamadas de traidoras, atletas iranianas ganham asilo A seleção feminina de futebol do Irã deixou a Austrália sem seis de suas integrantes, após protestos do lado de fora do Aeroporto de Sydney, nesta quarta-feira (11). O governo australiano reforçou a oferta de asilo dentro do terminal de embarque, antes da partida. À medida que o horário do voo se aproximava, cada uma delas foi levada à parte para se reunir sozinha com autoridades que explicaram, por meio de intérpretes, que elas poderiam optar por não retornar ao Irã. Sete outras mulheres haviam aceitado anteriormente vistos humanitários que lhes permitem permanecer permanentemente na Austrália. Porém, uma das atletas mudou de ideia e decidiu voltar para casa. “Na Austrália, as pessoas podem mudar de ideia”, disse o Ministro do Interior australiano, Tony Burke. Horas antes, ele havia postado fotos das sete mulheres que receberam vistos humanitários em suas redes sociais. “Infelizmente, ao tomar essa decisão, ela foi aconselhada por suas colegas e pelo técnico a entrar em contato com a embaixada iraniana e ser buscada”, disse ele Burke anteriormente. “Como resultado disso, significou que a embaixada iraniana agora sabia a localização de onde todos os outros estavam.” o Ministro Tony Burke, ao centro, posa em um local não divulgado com cinco jogadoras de futebol iranianas que receberam asilo na Austrália Ministério do Interior da Austrália via AP As seis mulheres restantes na Austrália foram imediatamente transferidas para um local diferente por razões de segurança, disse o ministro. Ele prometeu que elas não precisarão enfrentar uma batalha legal por residência permanente e receberão apoio em saúde, moradia e outros auxílios na Austrália. Alguns membros da delegação, que segundo autoridades tinham conexões com a Guarda Revolucionária paramilitar do Irã, não receberam ofertas de visto. “Havia algumas pessoas deixando a Austrália das quais estou feliz que não estejam mais na Austrália”, disse Burke. Não ficou claro exatamente quantas pessoas compunham a delegação, mas uma lista oficial do elenco nomeava 26 jogadoras, além da comissão técnica e outros funcionários. A Confederação Asiática de Futebol (AFC), que organizou o torneio, confirmou na quarta-feira que a equipe viajou de Sydney para Kuala Lumpur, na Malásia. “A AFC fornecerá todo o apoio necessário à equipe durante sua estadia até que seus arranjos de viagem subsequentes sejam confirmados”, disse um comunicado, acrescentando que o órgão “continuará a priorizar o bem-estar e a segurança das jogadoras e autoridades”. "Traidora em tempos de guerra" Jogadoras do Irã prestam continência durante o hino nacional antes da partida de futebol feminino da Copa da Ásia entre Irã e Filipinas em Robina, Austrália, domingo, 8 de março de 2026. Dave Hunt/AAP Image via AP O governo do Irã classificou a equipe como "traidora em tempos de guerra" após as jogadoras se recusarem a cantar o hino do país antes de uma das partidas da Copa da Ásia, que está ocorrendo na Austrália. A seleção iraniana chegou à Austrália para a competição no mês passado, antes do início da guerra com o Irã. Depois de perder o último jogo, teria de regressar ao Irã, mas associações de torcedores iniciaram um movimento pedindo que a Austrália concedesse asilo ao time. “Quando aquelas jogadoras ficaram em silêncio no início de sua primeira partida na Austrália, aquele silêncio foi ouvido como um rugido em todo o mundo”, disse Burke. “Nós respondemos dizendo: o convite está feito. Na Austrália, você pode estar segura.” O destino das mulheres capturou a atenção internacional enquanto grupos de irano-australianos alertavam que elas poderiam enfrentar consequências terríveis do governo teocrático do Irã por não cantarem o hino, mesmo com as jogadoras mantendo silêncio sobre o significado do gesto ou suas próprias preocupações em retornar. Houve nova indignação na Austrália após veículos de notícias publicarem uma foto que parecia mostrar uma mulher sendo conduzida pelo pulso por uma colega de equipe até o ônibus em direção ao aeroporto, com a mão de outro membro da delegação em seu ombro. O presidente dos EUA, Donald Trump, interveio no assunto na segunda-feira (9), criticando o governo australiano por não oferecer asilo às mulheres. Porém, no dia seguinte, surgiu a informação de que discussões entre autoridades australianas e as mulheres já vinham ocorrendo de forma privada. Enquanto isso, uma autoridade iraniana rejeitou as sugestões de que as mulheres não estariam seguras ao voltar para casa. “O Irã recebe seus filhos de braços abertos e o governo garante sua segurança”, disse o primeiro vice-presidente iraniano, Mohammad Reza Aref, na terça-feira (10). “Ninguém tem o direito de interferir nos assuntos familiares da nação iraniana e desempenhar o papel de uma babá que é mais gentil do que a mãe”, acrescentou. A TV estatal iraniana informou que a federação de futebol do país pediu aos órgãos internacionais de futebol que revisassem o que chamou de “interferência política direta de Trump no futebol”, alertando que tais comentários poderiam perturbar a Copa do Mundo de 2026.