Pacientes relatam falta de profissionais, e funcionários denunciam atrasos em salários em hospitais da Fundação ABC
Funcionários da saúde de São Bernardo se queixam de atrasos e falta de pagamentos de direitos trabalhistas pela Fundação ABC Pacientes que dependem da rede...
Funcionários da saúde de São Bernardo se queixam de atrasos e falta de pagamentos de direitos trabalhistas pela Fundação ABC Pacientes que dependem da rede pública de saúde em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, relatam dificuldades no atendimento por falta de profissionais em unidades básicas administradas pela Fundação ABC. Ao mesmo tempo, funcionários da área da saúde também denunciam atrasos e não pagamento de direitos trabalhistas, como 13º salário, férias e depósitos do FGTS. Os profissionais da saúde de São Bernardo — e de outras cidades do ABC — são ligados à Fundação ABC, uma Organização Social de Saúde (OSS) criada em 1967 pelos municípios de São Bernardo do Campo, Santo André e São Caetano do Sul. De acordo com informações divulgadas no site da própria fundação, a entidade tem hoje mais de 30 mil funcionários diretos e um orçamento anual de R$ 4,2 bilhões. A Fundação ABC é responsável pela gestão de 19 hospitais e oito ambulatórios médicos de especialidades, além do Centro Universitário FMABC e de uma unidade de apoio administrativo. Fachada do Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), administrado pela Fundação do ABC, em Santo André, na Grande São Paulo Reprodução/Google Maps A instituição também está à frente de dezenas de unidades nas áreas de atenção básica, saúde mental, urgência e emergência, entre outras. Apesar do porte e do orçamento bilionário, a Fundação ABC enfrenta uma série de reclamações em São Bernardo do Campo. Sobrecarga de trabalho Além dos pacientes, que se queixam da falta de profissionais nas unidades, funcionários relatam que diversos direitos trabalhistas não foram pagos ou foram quitados com atraso. Luiz Fernando Cruz de Oliveira, técnico em enfermagem, relata “sobrecarga excessiva de trabalho” e diz que o número reduzido de profissionais compromete o cuidado com os pacientes, já que “não tem condições para você tomar conta”. Felipe Bezerra Sturari também reclama da instabilidade nas equipes e da falta de vínculos fixos. Segundo ele, “os funcionários aqui” acabam sendo constantemente trocados, o que prejudica a continuidade do atendimento, com profissionais “não sendo fixos". O que diz a Fundação ABC Em nota, a Fundação ABC afirmou que "para cumprir suas obrigações adequadamente depende dos repasses dos municípios e que os pagamentos da prefeitura de SBC foram totalmente quitados nos primeiros dias de janeiro". O prefeito de São Bernardo do Campo, Marcelo Lima (Podemos), reconduzido ao cargo em outubro pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), depois de quase dois meses de afastamento judicial após investigação apontar que ele era o principal beneficiado de um esquema de corrução, afirmou que a prefeitura "não deve absolutamente" nada. "Desde o dia de hoje não devemos nada absolutamente de direito trabalhista, férias, 13º salário. Tudo foi repasso à Fundação ABC. No dia de hoje fizemos um repasse de mais de R$ 60 milhões para custear muitos benefícios. A Fundação já recebeu da prefeitura e recebemos a informação de que já está repassado o valor ao trabalhador", disse.