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Os EUA possuem uma arma secreta que ninguém conhece? Saiba o que está por trás dos rumores

FOTOS mostram alvos atingidos pelos EUA na Venezuela Luis James/AFP, Leonardo Fernandez Viloria/Reuters, Matias Delacroix/AP, Juan Barreto/AFP Dias após o ataq...

Os EUA possuem uma arma secreta que ninguém conhece? Saiba o que está por trás dos rumores
Os EUA possuem uma arma secreta que ninguém conhece? Saiba o que está por trás dos rumores (Foto: Reprodução)

FOTOS mostram alvos atingidos pelos EUA na Venezuela Luis James/AFP, Leonardo Fernandez Viloria/Reuters, Matias Delacroix/AP, Juan Barreto/AFP Dias após o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que resultou na deposição do ditador Nicolás Maduro, um relato anônimo gerou especulações sobre o uso de uma "arma misteriosa" e extremamente eficaz, que teria incapacitado os soldados venezuelanos. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Segundo o relato, o Exército americano acionou uma arma de tecnologia sônica, ou seja, que utiliza ondas sonoras como munição. Até o momento, não há confirmação oficial, porém os rumores foram incentivados pela própria Casa Branca e pelo presidente Donald Trump. A hipótese ganhou força quando a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, compartilhou em suas redes sociais o relato anônimo de um soldado venezuelano que disse ter presenciado as tropas dos EUA utilizarem uma arma que pareceu uma "onda sonora intensa" (leia mais abaixo). No post, Leavitt comentou: "Pare o que você está fazendo isso e leia isto." Perguntado em uma entrevista à TV norte-americana "Newsmax" nesta semana sobre o possível uso de armas sônicas contra os soldados venezuelanos, Trump foi vago, mas indicou que tal armamento pode ter sido empregado e cravou que os EUA têm "armas secretas incríveis". “Ninguém mais tem isso. Nós temos armas que ninguém conhece. Provavelmente é melhor não falar sobre isso, mas temos armas incríveis. Foi um ataque impressionante”, disse Trump. A fala provocou uma reação da Rússia. O Kremlin afirmou na última quarta (21) que gostaria de ter mais clareza sobre o que Trump quis dizer ao afirmar que os EUA possuem uma "arma sônica secreta". Veja os vídeos que estão em alta no g1 Também na quarta, em discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Trump voltou a tocar no assunto: "Nós somos uma grande potência, muito maior do que as pessoas sequer imaginam. Acho que eles [outros países do mundo] descobriram isso há duas semanas, na Venezuela. (...) Há duas semanas, eles viram armas de que ninguém jamais tinha ouvido falar. Não conseguiram disparar um único tiro contra nós", disse Trump. Segredos militares O g1 consultou o especialista em equipamento militares Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador de Harvard. Segundo ele, a tecnologia de armas sônicas existe há muito tempo, e exércitos ao redor do mundo estudam como desenvolver um armamento efetivo a partir dela —afinal, há uma corrida constante no meio militar por obter uma arma que o inimigo não tenha (a bomba nuclear é o caso mais emblemático). Para Brustolin, é muito provável que os EUA tenham a tecnologia, porém, até o momento não é possível determinar se ela foi de fato utilizada na Venezuela. Também não há informações públicas se o Exército norte-americano possua tal armamento em seu arsenal. O que se sabe é que elas funcionariam com alcance limitado. Ao mesmo tempo, "com certeza os EUA têm armas secretas que ninguém sabe sobre", e essa é uma prática comum há décadas no Exército norte-americano, de guardar seus segredos militares, segundo o analista. A postura do governo Trump sobre o caso, de não confirmar nem negar o uso do armamento e até alimentar o rumor, pode indicar uma tática bastante utilizada na geopolítica mundial, de explorar a incerteza para deixar seus adversários com um pé atrás. Não é a primeira vez que as armas sônicas ganham destaque no noticiário. Um dos casos mais emblemáticos foi o suposto ataque sônico em Havana, capital de Cuba, que provocou perda de audição em diplomatas dos EUA e do Canadá em 2017, porém uma investigação do incidente não encontrou evidências conclusivas do uso de armas acústicas. 'Começamos a sangrar pelo nariz' Aeronaves são vistas voando baixo durante explosões em Caracas Na madrugada de 3 de janeiro, o Exército dos EUA realizou bombardeios em Caracas e invadiu o espaço aéreo com helicópteros para prender Nicolás Maduro - o ditador foi deposto e agora está detido em um prisão de Nova York. O ataque contou com cerca de 150 aeronaves, entre jatos de guerra F-18, F-22 e F-35, bombardeiros B-1, helicópteros de operações especiais e drones de vigilância, segundo o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior do Exército dos EUA. A operação foi descrita por Caine como "discreta, precisa e conduzida no escuro da madrugada". A publicação no X com o relato do soldado venezuelano afetado pela suposta arma sônica e o compartilhamento de Leavitt obtiveram, juntos, mais de 37 milhões de visualizações. "Em certo momento, eles lançaram algo — não sei como descrever… era como uma onda sonora muito intensa. De repente, senti como se minha cabeça estivesse explodindo por dentro. Todos nós começamos a sangrar pelo nariz. Alguns vomitavam sangue. Caímos no chão, incapazes de nos mover. (...) Nunca vi nada parecido. Nem sequer conseguíamos ficar de pé depois daquela arma sônica, ou seja lá o que fosse", afirmou o soldado no relato compartilhado. O governo da Venezuela afirmou que o ataque dos EUA deixou ao menos 100 mortos, incluindo civis. Entre os mortos estão 32 soldados cubanos que eram da guarda pessoal de Maduro. Militar dos EUA utiliza arma sônica LRAD a bordo do navio USS Blue Ridge, em imagem de arquivo Marinha dos EUA/Domínio Público 'Canhão de som': o que são armas sônicas? As armas sônicas, ou armas acústicas, disparam ondas sonoras em vez de balas e emitem ruídos extremamente altos para desnortear o inimigo. Uma modalidade mais comum desse armamento são os Dispositivos Acústicos de Longo Alcance (LRAD), considerados uma arma não letal e popularmente chamados de "canhão de som". As ondas sonoras comuns ficam mais fracas quanto mais longe você estiver do ponto de emissão. No caso dos sinais acústicos dos canhões sonoros, eles podem ser ouvidos em alto volume a até um quilômetro de distância. Isso ocorre porque as ondas sonoras são disparadas usando alta pressão. As LRAD podem atingir um volume máximo de 150 ou 160 decibéis — para efeito de comparação, um motor de avião pode atingir até os 130 decibéis durante a decolagem. Quanto mais próxima a pessoa estiver de uma arma sônica quando ela for disparada, mais fortemente ela será afetada. Qualquer som acima de 120 decibéis é capaz de causar dor. Formalmente, o uso de armas sônicas não é proibido por tratados internacionais específicos, no entanto, grupos de direitos humanos criticam seu uso pelos riscos auditivos e psicológicos que causam nos alvos. Há suspeitas de que armas sônicas LRAD tenham sido utilizadas por autoridades da Sérvia contra manifestantes durante uma onda de protestos anticorrupção em Belgrado em abril de 2025.