Mulheres negras são alvo de racismo depois de postar vídeo de desfile nas redes: 'Preta fedida'
Grupo de mulheres negras é alvo de ataques racistas nas redes Um grupo de mulheres negras foi alvo de racismo após publicar um vídeo de um desfile sobre ance...
Grupo de mulheres negras é alvo de ataques racistas nas redes Um grupo de mulheres negras foi alvo de racismo após publicar um vídeo de um desfile sobre ancestralidade africana em um shopping de Goiânia. Um dos comentários feito em rede social ameaça as mulheres de morte. “Você é uma preta fedida mesmo, já fui preso uma vez, pra ser outra cortando a sua cabeça pode não demorar”, escreveu uma pessoa. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp O vídeo foi publicado no dia 17 de dezembro. Um outro usuário disse nos comentários: “Ficou parecendo um bando de palhaços”. Em outro, a pessoa escreveu: “Não gosto de preto, mas essas são diferente, o que a maquiagem e a roupa do estilo do país não faz né”, disse mais um. Outras frases diziam: “A senzala invadiu a realeza!” e “É muita carência e necessidade de afirmação”. Valorização da mulher negra O desfile, feito por sete mulheres, entre elas crianças, tinha o objetivo de mostrar a elegância das vestimentas e recebeu elogios da maioria. “Será que mulheres elegantes chamam atenção?”, dizia a legenda da publicação. A tapioqueira Josi Albuquerque é uma das vítimas das ofensas. O perfil dela é um dos seis marcados na publicação. Em um novo vídeo, ela denunciou os ataques e disse que o Brasil ainda precisa evoluir. No vídeo, ela reuniu trechos dos comentários citados nesta matéria. “Não é sobre roupa. Não é sobre ‘chamar atenção’. É sobre o incômodo que a presença preta ainda causa quando ocupa espaços com orgulho, identidade e ancestralidade. Seguimos existindo. Seguimos ocupando. Seguimos sendo realeza”, disse. LEIA TAMBÉM: Morte de empresário às margens de lago em Caldas Novas aconteceu após desentendimento sobre uso de moto aquática, diz PM ‘Doce e gentil’: veja quem era a estudante de Medicina que morreu em Anápolis Motociclista arrastado por enxurrada diz que não conseguia soltar a moto: 'Desespero' Crime de racismo Em entrevista à TV Anhanguera, o delegado da Polícia Civil Joaquim Adorno disse que a Constituição protege a liberdade de opinião, mas que, como qualquer outro direito, ela não é ilimitada. Ele destacou que, uma vez ultrapassado o limite de um simples posicionamento, a pessoa comete crime. “Qual o limite? O direito do outro. Você tem direito de ter qualquer opinião, desde que não ofenda o outro. Porque, se ofender, vai ultrapassar a linha da opinião para o crime”, ressaltou o delegado. Grupo de mulheres encenam um desfile em shopping de Goiânia. Reprodução/Instagram de Josi Albuquerque O advogado da Associação de Empresários e Empreendedores para o Fortalecimento do Afroempreendedorismo (Ascenda), em Goiás, José Eduardo Silva, afirmou que a ação abriu espaço para a discussão do tema no estado. “Isso vai estimulando as pessoas a terem a autoestima preservada e a não se acharem feias. Porque é isso que acontece no Brasil”, disse. A polícia está investigando o caso para identificar as pessoas que fizeram os comentários racistas. Elas serão chamadas para prestar depoimento. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás