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MP pede investigação de PM que não acionou perícia e liberou filha de capitão após acidente em RR

Mulher em moto morre em batida com caminhonete na avenida Ville Roy O Ministério Público (MP) de Roraima pediu a abertura de um inquérito policial militar e ...

MP pede investigação de PM que não acionou perícia e liberou filha de capitão após acidente em RR
MP pede investigação de PM que não acionou perícia e liberou filha de capitão após acidente em RR (Foto: Reprodução)

Mulher em moto morre em batida com caminhonete na avenida Ville Roy O Ministério Público (MP) de Roraima pediu a abertura de um inquérito policial militar e de procedimento administrativo para investigar a conduta do cabo da Polícia Militar Fernando Cordeiro Ledo. Ele afirmou em depoimento que considerou “não ser necessário” acionar a perícia no local do acidente que terminou com a morte da técnica em enfermagem Patricia Melo da Silva, de 53 anos. Fernando Cordeiro Ledo foi o responsável por atender a ocorrência do acidente. A motorista da caminhonte que atingiu a morte da técnica era a estudante de medicina veterinária Amanda Kathryn Monteiro de Souza, de 19 anos. Ela é filha de um capitão da corporação. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Em nota divulgada nesta quarta-feira (25), o MP informou que o caso tramita na Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri e está em fase de inquérito, com diligências em andamento. Disse ainda que, ao término das investigações, "adotará as medidas legais pertinentes". O g1 pediu o posicionamento do cabo e da PM por meio da assessoria de comunicação da corporação e aguarda o retorno. O acidente foi por volta das 23h44, na avenida Ville Roy e é investigado pela Polícia Civil. No dia, a filha do capitão não fez teste do bafômetro e foi liberada do local do acidente. A vítima Patricia sofreu várias lesões e morreu. Além da investigação contra o policial, o órgão expediu uma recomendação ao Comando da PM, ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e à Guarda Civil Municipal. O objetivo é garantir que o teste do bafômetro seja feito obrigatoriamente em todos os acidentes de trânsito, com ou sem vítimas. O g1 entrou em contato com os órgãos para saber se receberam a recomendação ou vão acatá-la e aguarda o retorno. Falhas no atendimento da ocorrência A atuação do cabo no dia do acidente, ocorrido na noite do dia 4 de fevereiro, apresenta indícios de falhas e omissões. A principal delas foi o não acionamento da perícia de trânsito. A justificativa inicial da PM era de que os veículos haviam sido retirados da posição original. No entanto, um relatório da Polícia Civil contestou a versão ao apontar que imagens mostram a moto da vítima presa ao para-choque da caminhonete. Uma testemunha relatou, inclusive, que foi o próprio policial militar quem ordenou que uma pessoa desse marcha à ré na caminhonete para desengatar a moto, alterando a cena do crime. Outra omissão investigada é a ausência do teste de bafômetro. Amanda foi liberada do local sem passar pelo exame. O investigador da PC apontou que a falta do teste prejudicou a apuração do caso, especialmente porque testemunhas relataram ter ouvido a jovem confessar, em uma videochamada, que havia consumido bebida alcoólica horas antes. O que dizem os citados Em nota, a defesa de Amanda informou que "a estudante Amanda permaneceu todo tempo no local, visando prestar socorro a vítima, aguardando as determinações dos agentes de segurança". Procurado, o cabo orientou a reportagem a procurar a assessoria da PM, que informou que a equipe responsável pelo atendimento da ocorrência realizou os levantamentos necessários para o registro do fato ainda no local. Afirmou que ouviu os policiais envolvidos e disponibilizou os esclarecimentos à PC, e ressaltou que a Corregedoria instaurará procedimento para apurar a conduta dos agentes. Ainda em depoimento, o cabo disse que não solicitou que a Amanda fizesse teste de bafômetro pois não havia suspeita de alcoolemia e o acidente "parecia ser caso de lesão corporal". Ele afirmou que "não recebeu qualquer ligação durante a ocorrência e nem foi contactado por qualquer meio para que desse tratamento diferenciado por ser a condutora filha de militar". O cabo também tirou foto do cenário do acidente "pois entendeu que mesmo sem perícia poderiam ajudar na compreensão da dinâmica dos fatos". Na ocorrência, ele pegou os dados de Amanda e a liberou. Ele acrescentou que hoje entende que deveria ter acionado a perícia mesmo assim. A Polícia Civil informou que o inquérito policial "encontra-se em fase final de conclusão e que "ausência de realização de perícia no local do acidente também está sendo analisada no âmbito da investigação." Filha de capitão da PM Amanda é filha do capitão da PM Helton John Silva de Souza, envolvido no assassinato do casal de agricultores Flávia Guilarducci, de 50 anos, e Jânio Bonfim de Souza, de 57, por disputa de terras no município do Cantá. Amanda Monteiro é filha do capitão da PM Helton John Silva de Souza Reprodução Além do cabo, uma testemunha do acidente, também depôs à polícia. Ela informou à PC que ouviu Amanda dizer que era "filha de capitão da polícia". Ainda em nota, a defesa da motorista informou que "Inclusive, ela mesmo [Amanda] se prontificou em fazer o exame. Mesmo assim, os vídeos publicados em rede social deixam claro que ela não tinha qualquer sinal de embriaguez." À época, a PM registrou o caso como "sinistro de trânsito com vítima". Amanda Kathryn ficou em silêncio ao prestar depoimento à Polícia Civil. Morte de técnica de enfermagem A técnica em enfermagem, Patricia Melo da Silva, de 53 anos, morreu após uma caminhonete atingir a moto em que ela estava. Com o impacto, a Patricia sofreu lesões graves em várias partes do corpo. Ela recebeu atendimento ainda no local por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) mas morreu ao ser encaminhada para o Hospital Geral de Roraima (HGR). Motociclista morre após ser atingida por caminhonete na avenida Ville Roy, em Boa Vista Reprodução Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.