'Groenlândia não está à venda, nem será tomada', diz Macron ao lado dos premiês da ilha e da Dinamarca
O presidente da França, Emannuel Macron, se encontrou com os primeiros-ministros da Dinamarca e da Groenlândia nesta quarta-feira (28) e fez um pronunciamento...
O presidente da França, Emannuel Macron, se encontrou com os primeiros-ministros da Dinamarca e da Groenlândia nesta quarta-feira (28) e fez um pronunciamento em apoio a eles, contra as pressões exercidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. GROENLÂNDIA: como é e quais são as belezas naturais da maior ilha do mundo ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Com os óculos escuros que viralizaram depois que ele os usou durante seu discurso no Fórum Econômico de Davos, Macron falou com a imprensa ao lado dos premiês após a reunião feita na sede do governo francês, em Paris, e afirmou: "A França permanecerá comprometida com o Reino da Dinamarca. A Groenlândia não está à venda, nem será tomada. Os groenlandeses decidirão seu futuro", declarou em groenlandês. Trump quer anexar a Groenlândia aos EUA No dia 22, Trump afirmou em entrevista que os EUA estão negociando "acesso total" à Groenlândia, mas não entrou em detalhes sobre a proposta — mais cedo, o premiê da Groenlândia havia dito que eles não estavam dispostos a ceder a soberania do território. Em entrevista à apresentadora Maria Bartiromo, Trump reforçou o desejo de anexar a ilha, que é um território autônomo da Dinamarca, como parte de um projeto de segurança nacional dos EUA — especialmente na criação de um "Domo de Ouro", um sistema de defesa aérea similar ao Domo de Ferro de Israel. "Tudo passa pela Groenlândia. Se os bandidos começarem a atirar, tudo passa pela Groenlândia", disse Trump, à Fox News. "É algo extremamente valioso. É incrível. Sabe, Ronald Reagan teve essa ideia há muito tempo, mas não tínhamos a tecnologia necessária naquela época. O conceito era ótimo, mas não havia tecnologia. Agora temos uma tecnologia inacreditável." Ao ser questionado sobre o que está sendo discutido em relação à Groenlândia, Trump respondeu: "Quer dizer, estamos falando sobre isso, os detalhes estão sendo negociados agora, mas essencialmente é acesso total. Sem um fim, sem prazo limite". O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante reunião com o secretário-geral da Otan, em 21 de janeiro de 2026 REUTERS/Jonathan Ernst Em discurso na quarta-feira (21) em Davos, durante o Fórum Econômico Mundial, o republicano insistiu na compra da Goenlândia pelos EUA, mas descartou o uso da força para anexar a ilha. Posteriormente, em reunião com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, Trump disse que os EUA e a aliança militar — da qual tanto os EUA quanto a Dinamarca fazem parte — avançaram em um acordo envolvendo a Groenlândia e o Ártico. Segundo o jornal "The New York Times", a proposta que está na mesa envolve a entrega de áreas da ilha a Washington para a construção de bases militares. Soberania é 'linha vermelha' Nesta quinta, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, disse estar disposto a negociar uma parceria mais estreita com os Estados Unidos, mas afirmou descartar ceder qualquer tipo de soberania da ilha ao governo de Donald Trump. Nielsen elogiou a postura de Trump e se disse disposto a negociar uma maior participação norte-americana no território. O premiê groenlandês, no entanto, disse que a soberania da ilha é uma "linha vermelha" e repetiu que não aceitará ceder o governo nem parte dele para os Estados Unidos, como quer Trump. Essa possibilidade foi levantada na noite de quarta, após o norte-americano anunciar ter chegado a um acordo com o secretário-geral da ONU, Mark Rutte, sobre a Groenlândia. ➡️Atualmente, os EUA já têm bases militares na Groenlândia, além da prerrogativa de poder atuar no território em casos de ameaça à segurança.