Entenda o que levou à liquidação da CBSF, ex-Reag, pelo BC
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Ana Flor: BC decreta liquidação extrajudicial da CBSF (ex-Reag), envolvida no caso Master O Banco Central do Brasil (BC) decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, nome atual da Reag Trust DTVM, administradora de fundos da Reag. Segundo o BC, a decisão foi “motivada por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN [Sistema Financeiro Nacional]”. Ainda de acordo com o órgão, a empresa "se enquadra no segmento S4 da regulação prudencial" — ou seja, é de pequeno porte e segue regras mais simples do que as aplicadas aos grandes bancos. 🔎 Na prática, isso significa que eventuais problemas nessas instituições não representam risco relevante para o sistema financeiro. Segundo o BC, a companhia representa menos de 0,001% do ativo total ajustado do SFN. Em nota, o BC informou que continuará a tomar todas as medidas cabíveis para apurar a responsabilidade da empresa no suposto esquema de fraude envolvendo o Banco Master. "O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis", informou a instituição em nota, reiterando que, pela lei, os bens dos controladores e dos ex-administradores da empresa estão bloqueados. Com a decisão, todas as operações da empresa foram encerradas de imediato. A medida atinge a instituição, mas não os fundos em si — que permanecem ativos, mas precisarão buscar novas instituições para assumir sua administração. A CBSF, controlada pelo Grupo Reag, atuava sobretudo como administradora de mais de 80 fundos de investimento. Banco Central (BC) decreta liquidação extrajudicial da Reag Investimentos Reprodução/Instagram O que é a Reag? A Reag é um grupo financeiro independente, que oferece produtos e serviços financeiros integrados. Entre as empresas que antes faziam parte do grupo estava a Reag Investimentos, fundada em 2013 por João Carlos Mansur e que se tornou uma das maiores gestoras independentes do país, sem vínculos com bancos. Ela chegou a administrar R$ 299 bilhões de pessoas físicas, empresas, fundos de pensão e investidores institucionais e foi a primeira gestora de patrimônio a ter ações negociadas na bolsa brasileira. O Grupo Reag também administrava a Ciabrasf, outra holding independente citada na Operação Carbono Oculto, em agosto. A Ciabrasf teve sua compra finalizada pelo Grupo Planner na terça-feira passada (6). O negócio incluiu uma condição específica: a realização de uma oferta pública de aquisição de ações, mecanismo pelo qual o novo controlador faz uma proposta para comprar as ações em circulação e, assim, assumir oficialmente o controle da empresa. Em outubro do ano passado, a Reag Capital Holding anunciou o cancelamento de seu registro como companhia aberta. Com a decisão, ela deixou a categoria B, destinada a empresas que emitem títulos ao público (como debêntures ou cotas de fundos de investimentos), mas não têm ações na bolsa. O fechamento de capital aconteceu em um momento de reorganização das empresas controladas pela holding, após a Reag Investimentos ter sido incluída entre as companhias investigadas pela megaoperação da Polícia Federal contra o PCC. Poucos dias depois da operação, a companhia anunciou a venda da Reag Investimentos para a Arandu, formada pelos principais executivos da própria Reag. Fora do mercado financeiro, a Reag ganhou visibilidade ao patrocinar o Cine Belas Artes, um dos cinemas mais tradicionais de São Paulo. Com a aquisição dos direitos de nomeação, o espaço passou a se chamar REAG Belas Artes a partir de janeiro de 2024. Em dezembro, no entanto, o Cine Belas Artes anunciou o fim da parceria e iniciou uma campanha para encontrar um novo patrocinador. Quem é João Carlos Mansur João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag Investimentos, está entre os investigados na segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master. Essa, porém, não foi a primeira vez que o empresário se envolveu em controvérsias. Mansur renunciou ao cargo de presidente do conselho de administração da Reag Investimentos em setembro do ano passado, após a empresa ter sido alvo de uma megaoperação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC). Bacharel em ciências contábeis, Mansur fundou a Reag Investimentos em 2013, acumula 35 anos de experiência no mercado financeiro e atua como conselheiro independente autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O empresário declara experiência em auditoria, controladoria, gestão financeira, planejamento estratégico, análise de investimentos e desenvolvimento de negócios. 👉 Em seu perfil no LinkedIn, afirma ter estruturado mais de 200 fundos de investimento — entre eles fundos imobiliários, de participações e de direitos creditórios —, além de ter atuado em outras operações no mercado de capitais. Mansur atuou como executivo em empresas como PricewaterhouseCoopers (PwC), Monsanto, Tishman Speyer e WTorre Arenas, além de ter participado da criação do estádio Allianz Parque. Além de sua ligação com o futebol por meio da Reag, Mansur trabalhou na Trump Realty Brazil, empresa que utilizava o nome do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A joint venture foi criada em 2003, mas o contrato durou apenas até 2006, após o projeto fracassar antes da conclusão de qualquer empreendimento imobiliário. SAIBA MAIS ABAIXO Quem é João Carlos Mansur Operação Carbono Oculto Em agosto do ano passado, a Polícia Federal deflagrou a Operação Carbono Oculto para desarticular um esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, atribuído a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as investigações, o grupo deixou de recolher mais de R$ 7,6 bilhões em impostos e operava irregularidades em diferentes etapas da cadeia de produção, distribuição e comercialização de combustíveis. Para ocultar a origem dos recursos, o esquema utilizava uma estrutura financeira complexa, baseada no uso de fintechs e fundos de investimento. 👉 Ao menos 40 fundos, entre multimercado e imobiliários, com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões, teriam sido controlados direta ou indiretamente pela facção. Muitos eram fundos fechados, com um único cotista, o que dificultava a identificação dos beneficiários finais. 👉 A Reag Investimentos apareceu nas investigações como uma das empresas citadas na apuração sobre o uso de fundos de investimento para a ocultação de recursos. Segundo a PF e a Receita Federal, administradoras de fundos teriam conhecimento das irregularidades e deixado de cumprir obrigações legais, contribuindo para ocultar a movimentação financeira da organização criminosa. As apurações indicavam que fintechs eram preferidas em relação a bancos tradicionais para dificultar o rastreamento das transações. Em um dos casos, a Receita identificou uma fintech que funcionava como um “banco paralelo” da organização criminosa, com movimentação superior a R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024. Parte dessas operações passava por chamadas “contas-bolsão”, que misturam recursos de diversos clientes e reduzem a transparência das transações. Os valores obtidos com o esquema foram usados para adquirir ativos e blindar patrimônio, incluindo usinas sucroalcooleiras, distribuidoras, transportadoras, postos de combustíveis, imóveis, fazendas e um terminal portuário. SAIBA MAIS ABAIXO EXCLUSIVO: Alvos de megaoperação do PCC são sócios em ao menos 251 postos de combustíveis; veja endereços Operação Compliance Zero O caso do Banco Master se tornou o centro de um escândalo financeiro nacional e de uma disputa institucional. A instituição já operava sob risco de falência por causa da emissão de CDBs com juros muito acima do padrão de mercado e da exposição a investimentos considerados arriscados. Também passou a ser investigada uma possível fraude na venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB), no valor de R$ 12,2 bilhões. Em novembro, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do banco. No mesmo dia, a primeira fase da operação Compliance Zero, da Polícia Federal, prendeu o controlador do Master, o banqueiro Daniel Vorcaro. Nesta quarta-feira (14), a segunda fase da operação cumpriu mandados de busca e apreensão contra João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag. A PF também realizou ações em endereços ligados a Vorcaro e a seus parentes. O empresário Nelson Tanure também estava entre os alvos. A investigação identificou um esquema de captação de dinheiro, aplicação em fundos e desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e de seus parentes. O celular do dono do Master foi apreendido. Nesta etapa da operação, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão, determinados pelo ministro Dias Toffoli, além de medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões. Também foram apreendidos carros e itens de luxo. SAIBA MAIS ABAIXO Caso Master: PF bloqueou R$ 5,7 bilhões e apreendeu R$ 97 mil em espécie em operação; veja imagens
Fonte da Reprodução:
https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/01/15/entenda-liquidacao-reag.ghtml