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Conheça o estilista alagoano que assina peça do novo álbum de Anitta

‘Equilibrivm’: veja as principais referências religiosas do novo álbum de Anitta O estilista alagoano Dely Teodoro assina uma das peças do novo álbum de...

Conheça o estilista alagoano que assina peça do novo álbum de Anitta
Conheça o estilista alagoano que assina peça do novo álbum de Anitta (Foto: Reprodução)

‘Equilibrivm’: veja as principais referências religiosas do novo álbum de Anitta O estilista alagoano Dely Teodoro assina uma das peças do novo álbum de Anitta. Com trabalho centrado no fazer manual e em processos artesanais, ele transforma memórias e referências pessoais em criações que transitam entre moda e arte. Equilibrium é o oitavo álbum de estúdio da cantora. O disco reúne gêneros tipicamente brasileiros, como samba e funk, e incorpora referências a orixás do candomblé, pontos de umbanda, mantras de meditação budista e símbolos ligados a rituais indígenas. Dely, de 35 anos, nasceu e foi criado no bairro de Bebedouro, em Maceió. Ao g1, ele evita se definir de forma fixa e afirma se enxergar como alguém em constante transformação, movido pela curiosidade e pelo desejo de aprender. Diz que sempre foi uma criança observadora e que esse olhar atento para o mundo moldou sua forma de criar. Segundo o estilista, a infância é um dos principais pilares do seu trabalho. Ele cresceu próximo à lagoa, onde passava horas sozinho, em silêncio, e também frequentava uma igreja no bairro. Mais do que a religiosidade, eram os elementos visuais que o marcavam. Em paralelo, acompanhava ensaios de uma oficina de teatro afro na comunidade, onde se encantava com figurinos e movimentos. Hoje, ele reconhece que essas experiências, entre natureza, estética religiosa e cultura popular, se misturam nas peças que desenvolve. Infância, memória e construção estética Dely Teodoro, estilista alagoano. Arquivo pessoal O contato com a moda veio dentro de casa, cercado por mulheres que costuravam. “Tenho tias e avós que eram extremamente talentosas. Uma delas bordava como se estivesse costurando o vento”, conta. Outra, mais prática, o incentivava a opinar sobre roupas ainda na infância. “Esse mundo sempre esteve ali e foi incentivado silenciosamente.” A trajetória profissional começou no comércio. Aos 19 anos, ele se mudou para o Rio de Janeiro e passou a trabalhar em uma loja de roupas. A experiência, que para muitos era apenas um emprego, foi encarada por ele como um espaço de aprendizado intenso. Ao longo de mais de uma década, passou por diferentes marcas, fez especializações e acumulou repertório até retornar a Maceió. Foi na Escola Técnica de Artes que seu trabalho ganhou forma mais definida. Lá, teve contato com novos processos e foi incentivado a estruturar sua própria marca. Surge então a D.LYVAR, um projeto autoral baseado no fazer manual, com peças que carregam tempo, memória e identidade. “Hoje consigo mostrar ao mundo memórias e pensamentos que um dia achei impossível.” A escolha pelo artesanal não é apenas estética, mas também afetiva. Dely relembra que aprendeu a costurar à mão ainda criança, ao lado de uma das avós, que o ensinava com paciência. “O trabalho manual é vivo, tem energia. Não existe nada mais único do que se vestir de arte”, resume. Entre as referências, ele cita nomes importantes da moda como Rei Kawakubo e Alexander McQueen, mas destaca que a música é uma das suas maiores influências criativas. Muitas vezes, o processo de criação nasce da melodia, mais do que da palavra. Da memória ao palco com Anitta Dely Teodoro, estilista alagoano que assina peça do novo álbum de Anitta. Arquivo pessoal A cantora não foi a única artista que o estilista vestiu, a lista conta com nomes como Jade Picon, Pablo Vittar, Bruna Gonçalves e mais. De acordo com ele, a peça usada por Anitta parte justamente desse universo sensível. A inspiração veio de um vitral da Igreja de Santa Terezinha, no bairro da Serraria, em Maceió. O elemento chamou atenção pela resistência ao tempo e acabou sendo reinterpretado na peça por meio de materiais e formas. Madeira, flores e fios de aço aparecem como símbolos dessa construção, em uma leitura que mistura memória, espiritualidade e passagem do tempo. “Escolhi a madeira para lembrar um rosário. As rosas aparecem presas a fios de aço, como uma forma de dizer que o tempo é indefinido, absoluto.” O vitral original foi destruído após chuvas e substituído, mas permanece como referência. “Fica a memória.” O contato com a equipe da cantora aconteceu após uma curadoria nacional. Para ele, o convite foi recebido com emoção, não apenas pela visibilidade, mas pelo conceito do projeto. Ele destaca que o trabalho da artista valoriza o fazer manual e reúne diferentes criadores do país em torno de uma proposta estética e cultural mais ampla. Vestir uma artista como Anitta teve impacto direto na sua trajetória. “Acendeu um ‘canhão de luz’ dentro de mim”, afirmou. Ele fala sobre os desafios de atuar de forma independente, sem apoio institucional, e como momentos como esse ajudam a reafirmar o caminho escolhido. Apesar do reconhecimento, Dely mantém o olhar voltado para o futuro. Ele acredita que ainda há muito a ser construído e reforça o desejo de ampliar a visibilidade da produção artística local. Para ele, a conquista também carrega esse papel: chamar atenção para talentos que existem, mas muitas vezes não são vistos.