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Cidade entre as mais arborizadas do mundo terá plano para erradicar árvore invasora em córrego

A árvore invasora vai ser erradicada de Campo Grande A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços...

Cidade entre as mais arborizadas do mundo terá plano para erradicar árvore invasora em córrego
Cidade entre as mais arborizadas do mundo terá plano para erradicar árvore invasora em córrego (Foto: Reprodução)

A árvore invasora vai ser erradicada de Campo Grande A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) de Campo Grande firmaram um Acordo de Cooperação Técnica para erradicar a leucena (Leucaena leucocephala) e recuperar a Área de Preservação Permanente (APP) do Córrego Bandeira. O acordo foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) nesta terça-feira (13) e terá vigência de cinco anos, até janeiro de 2031. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp A parceria prevê ações conjuntas para o manejo, erradicação e substituição da leucena, planta exótica invasora que compete com espécies nativas e se espalha rapidamente. Segundo o documento, as ações serão realizadas com cooperação técnica entre a UFMS e o município, combinando estudos acadêmicos, planejamento ambiental e trabalho prático no córrego. O objetivo é recuperar a vegetação nativa, proteger o curso d’água e melhorar as condições ambientais da área. As atividades estão detalhadas em um plano de trabalho, que orienta as etapas de intervenção, recuperação da área e acompanhamento das ações realizadas na APP do Córrego Bandeira. Espécie nativa do México A planta chegou ao Brasil na década de 1970, vinda do México Reprodução O especialista em ecologia e em árvores Milton Longo, explica que a leucena chegou ao Brasil na década de 1970. Nativa do México, a espécie foi introduzida em Mato Grosso do Sul e outros estados como uma alternativa para alimentar o gado. No entanto, o cultivo da leucena saiu do controle devido à capacidade de se espalhar rapidamente e dominar o ambiente, sufocando espécies de plantas nativas. Longo explica que a leucena é agressiva ao ecossistema nativo. A árvore libera um composto químico, a mimosina, que inibe a germinação e impede o crescimento de outras espécies ao redor. Na prática, a leucena sufoca a vegetação nativa. “Ela é muito agressiva, tem um crescimento muito rápido e se espalhou por todos os fundos de vale aqui em Campo Grande — fundos de vale, beiras de rodovias, ruas — porque cresce rápido, domina o ambiente e forma essas florestas únicas, mono-dominantes, compostas por uma única espécie.” A pesquisadora Gisseli Giraldelli, bióloga e diretora da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, estuda a leucena há 15 anos e reforça que o crescimento descontrolado pode trazer riscos à saúde de todo o ecossistema. “Uma área que sofre a invasão das leucenas perde toda a biodiversidade e vira aquilo que a gente chama de deserto verde. Aparentemente você olha, fala ‘tá lindo, né, tá verdinho, tem uma mata ali’, e quando você chega lá é toda de uma espécie só. Então ela ameaça a fauna e a flora como um todo”, afirma. Giraldelli também destaca o impacto na saúde humana, já que a perda de biodiversidade em ambientes urbanos favorece o surgimento de doenças relacionadas ao desequilíbrio ecológico, afetando tanto a saúde quanto a economia. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul: