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Cerca de 150 mil tartarugas-da-Amazônia nascem em área de proteção e marcam recorde em RR

Cerca de 150 mil tartarugas-da-Amazônia nascem em área de proteção e marcam recorde em RR O rio deve receber milhares de novos habitantes! Isso porque cerca...

Cerca de 150 mil tartarugas-da-Amazônia nascem em área de proteção e marcam recorde em RR
Cerca de 150 mil tartarugas-da-Amazônia nascem em área de proteção e marcam recorde em RR (Foto: Reprodução)

Cerca de 150 mil tartarugas-da-Amazônia nascem em área de proteção e marcam recorde em RR O rio deve receber milhares de novos habitantes! Isso porque cerca de 150 mil tartarugas-da-Amazônia vão nascer até o fim março nas praias do Baixo Rio Branco, no Sul de Roraima. Os ovos são monitorados e protegidos pelo Projeto Quelônios da Amazônia (PQA), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O número de ovos registrados pelo projeto é considerado um recorde para Roraima. Os 150 mil filhotes foram catalogados em mais de 800 ninhos espalhados nas praias da região — chamadas pelos pesquisadores de "tabuleiros". 🚣‍♀️ O PQA foi criado há 35 anos para proteger as espécies de quelônios em risco de extinção na Amazônia brasileira. Quelônio é todo réptil de casco, o que inclui jabutis, tracajás e cágados. O maior entre os que vivem fora da água salgada é a tartaruga-da-Amazônia, que na fase adulta pode chegar a 1 metro de comprimento e pesar até 65 kg. Além disso, vivem até 100 anos. Alunos de escola ribeirinha soltam cerca de 5 mil filhotes de tartaruga-da-Amazônia em ação de 2026 Caíque Rodrigues/g1 RR Em Roraima, o projeto monitora ninhos no Baixo Rio Branco, região onde há 16 comunidades ribeirinhas - o acesso é feito apenas por horas navegando pelo rio. A iniciativa atua contra predadores e no combate à principal ameaça: o tráfico de tartarugas por criminosos conhecidos como "tartarugueiros". 🥚 Os ovos são colocados nos ninhos e se desenvolvem sozinhos, sem a presença das tartarugas. Cada fêmea coloca entre 90 a 150 ovos por ninho. Quando os filhotes nascem, eles vão sozinhos até a água -- momento em que se tornam presas fáceis. É nesta fase que o PQA age para garantir a segurança. O g1 acompanhou o projeto na soltura dos filhotes de tartaruga-da-Amazônia na sexta-feira (6). A ação contou com a parceria da prefeitura de Caracaraí e a presença de alunos da escola municipal Oscar Batista Dos Santos, que fica na comunidade ribeirinha de Sacaí. Para chegar ao local, foram 9 horas de barco saindo de Caracaraí descendo pelo rio Branco. LEIA TAMBÉM: Mais de 100 mil tartarugas-da-Amazônia nascem em projeto de proteção, e crianças ribeirinhas ajudam na soltura de filhotes Projeto de proteção a tartarugas-da-Amazônia monitorou em RR quase meio milhão de ovos em 8 anos Filhotes de tartarugas-da-Amazônia correm na praia em direção ao rio, no Baixo Rio Branco Caíque Rodrigues/g1 RR "O que fazemos aqui é o manejo [dos filhotes]. Sem interferência humana, muitos filhotes não conseguem chegar ao rio porque existem vários predadores na praia, como aves e outros animais. Sem o manejo, apenas 30 ou 40% dos filhotes conseguiriam chegar até a água. O nosso trabalho é aumentar essa taxa, garantindo que mais tartaruguinhas consigam chegar ao rio", explicou o coordenador do PQA em Roraima, Rui Bastos. Os ovos monitorados foram colocados entre setembro e dezembro de 2025 por fêmeas que escolheram principalmente a ilha Maú para o ciclo reprodutivo de 2025-2026. O número total ainda não foi fechado porque ainda estão nascendo tartaruguinhas nos tabuleiros. O número de ovos é quase 100 mil a mais do registrado no ciclo 2023-2024, em que foram mais de 57 mil ovos, e ultrapassa o recorde anterior registrado em 2024-2025, de mais de 104 mil. Veja no gráfico abaixo. Espécie já esteve ameaçada de extinção Tartaruga-da-Amazônia filhote e adulta Initial plugin text A tartaruga-da-Amazônia chegou a entrar na lista de espécies ameaçadas de extinção no Brasil devido à caça e ao tráfico ilegal. O animal é consumido em algumas regiões da Amazônia, o que, ao longo de décadas, reduziu drasticamente a população adulta da espécie. Segundo o analista ambiental do Ibama e biólogo Júlio Domingues, o projeto foi essencial para recuperar parte dessa população. "A pressão de caça e a retirada de ovos fizeram com que a população diminuísse muito ao longo do tempo. O projeto passou a atuar tanto na fiscalização quanto no monitoramento do ciclo reprodutivo da espécie, protegendo os ninhos e acompanhando as áreas de desova", explicou. Hoje, a espécie ainda é considerada vulnerável, mas não está mais na situação crítica registrada no passado. Filhotes de Tartarugas-da-Amazônia prestes a serem soltas, no Baixo Rio Branco Caíque Rodrigues/g1 RR Além do valor cultural para populações da Amazônia, a tartaruga-da-Amazônia também desempenha um papel importante no equilíbrio do ecossistema dos rios. Os animais se alimentam principalmente de plantas aquáticas, sementes e algas, ajudando na dinâmica do ambiente. Ao mesmo tempo, especialmente quando ainda são filhotes, também servem de alimento para outros animais. "Dentro do ecossistema dos rios amazônicos, a tartaruga faz parte da cadeia alimentar. Ela consome plantas e sementes e também serve de alimento para peixes e outros animais. Isso ajuda a manter o equilíbrio ambiental", explicou Domingues. Educação ambiental com crianças ribeirinhas Crianças e adolescentes parcipam de ação educativa sobre tartarugas-da-Amazônia, no Baixo Rio Branco Caíque Rodrigues/g1 RR Além da proteção dos ninhos, o projeto também trabalha com educação ambiental nas comunidades ribeirinhas. Durante a soltura, estudantes participaram da devolução dos filhotes ao rio. Para a estudante Maria Isabela Sampaio, de 12 anos, foi a primeira vez participando da atividade. "Foi muita alegria e emoção, porque eu nunca tinha participado de algo assim. Aprendi que as tartarugas são importantes para a natureza", disse. O estudante Bruno de Souza, de 16 anos, também participou da soltura e destacou a importância do projeto para garantir a sobrevivência dos animais. "Muitas tartarugas não conseguem chegar até o rio por causa dos predadores. Poder ajudar soltando os filhotes e dando uma nova chance de vida para elas é muito especial", afirmou. 🐢 Maior quelônio da Amazônia Entre os quelônios protegidos pelo programa, as tartarugas-da-Amazônia são as maiores. De acordo com o pesquisador Eduardo Bessa, as tartarugas são principalmente herbívoras. Elas se alimentam de plantas aquáticas e frutos, e são importantes para a propagação de sementes. "Na idade reprodutiva, durante a seca, machos e fêmeas acasalam no rio, e a fêmea sobe à praia à noite para desovar, às vezes em grupos enormes chamados arribada", explicou. As estratégias reprodutivas desses animais são, no mínimo, curiosas. O professor explica que, em ecologia, há duas estratégias de ciclo de vida, chamadas de: R e K. Nos ciclos em K, as fêmeas têm poucos filhotes, cuidam muito bem deles e fazem de tudo para que a maioria sobreviva, como uma onça pintada, por exemplo. Já os em R têm muitos filhotes que morrem aos montes até crescerem - o caso das tartarugas. Filhote de tartaruga-da-Amazônia no Baixo Rio Branco Caíque Rodrigues/g1 RR "As estratégias de ciclo de vida R e K são modelos que descrevem como as diferentes espécies se adaptam a seus ambientes e como maximizam seu sucesso reprodutivo". "Sua estratégia consiste em produzir o máximo de descendentes possível, com a expectativa de que alguns sobrevivam, sendo a sobrevivência dos descendentes mais dependente de fatores ambientais do que do cuidado parental", explicou o professor. O PQA monitora o ciclo de reprodução a partir do momento em que as fêmeas colocam os ovos nos ninhos da praia. "Isso evita a predação por animais terrestres e aves. Os urubus comem muitos filhotes, animais terrestres também comem e, dentro da água, os peixes maiores são os principais predadores. A nossa ideia é aumentar taxa de sobrevivência desses filhotes até que cheguem à fase adulta", explica Rui. ⛺ Projeto Quelônios da Amazônia Filhotes de tartarugas-da-Amazônia, no Baixo Rio Branco Caíque Rodrigues/g1 RR O PQA tem uma história multifacetada com um foco central na conservação das tartarugas amazônicas. O projeto foi criado para proteger os ninhos e filhotes, garantindo a segurança durante a fase inicial de vida e salvou cerca de 100 milhões de filhotes no Brasil. O projeto é uma iniciativa do Ibama, mas tem parceria da Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh), especialmente na região do Baixo Rio Branco, dentro das unidades de conservação estadual. Um dos resultados mais significativos do PQA é que a tartaruga-da-Amazônia está saindo da lista de animais ameaçados de extinção. A região onde o PQA atua é considerada uma área protegida, com proibição da pesca, principamente com redes do tipo malhador, durante o período reprodutivo. Em Roraima, as equipes em campo são compostas por servidores do Ibama, pilotos de barcos, policiais para a segurança dos servidores e colaboradores locais. O projeto tem com o apoio da Companhia Independente de Policiamento Ambiental (Cipa), que monitora atividades ilegais e medeia conflitos com pescadores e ribeirinhos. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.