cover
Tocando Agora:

Após mais de 3 anos, delegada é exonerada da Secretaria da Mulher no Acre

Márdhia El-Shawwa estava no cargo desde março de 2023, quando a Semulher foi recriada Reprodução/Secom A delegada Márdhia El-Shawwa foi exonerada do cargo ...

Após mais de 3 anos, delegada é exonerada da Secretaria da Mulher no Acre
Após mais de 3 anos, delegada é exonerada da Secretaria da Mulher no Acre (Foto: Reprodução)

Márdhia El-Shawwa estava no cargo desde março de 2023, quando a Semulher foi recriada Reprodução/Secom A delegada Márdhia El-Shawwa foi exonerada do cargo de secretária da Mulher do Acre (Semulher) nesta terça-feira (7). A informação foi confirmada pela gestora à Rede Amazônica Acre, mas ainda não foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE). Márdhia não comentou a decisão e disse apenas que foi informada por Jonathan Santiago, chefe de gabinete da governadora Mailza Assis (Progressistas). A Rede Amazônica e o g1 procuraram a Secretaria Estadual de Comunicação (Secom) para saber quem vai assumir a pasta e aguarda retorno. ✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Ela estava no cargo desde março de 2023, quando a secretaria foi recriada, já no segundo mandato de Gladson Camelí (Progressistas). Durante sua gestão, Márdhia lidou com um cenário de altas taxas de feminicídios no Acre. Acre recebeu R$ 12 milhões para políticas para mulheres, mas não gastou 20%, diz CGU Em fevereiro deste ano, ela se posicionou publicamente após falas do ex-técnico do Vasco-AC Eric Rodrigues sobre as denúncias de estupro envolvendo atletas do clube dentro do alojamento do time, em Rio Branco. As falas foram exibidas em programas de TV locais e ocorreram após a repercussão do caso que levou à prisão de um dos jogadores e à decretação de prisão temporária de outros três. LEIA TAMBÉM: Programa para mulheres vai receber apenas R$ 3 de orçamento para 2026 em Rio Branco Conheça Mailza Assis, segunda mulher a governar o Acre após 40 anos Por meio de nota, a pasta afirma que o treinador desqualificou o trabalho técnico, ético e legal da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), ao insinuar suposta parcialidade na condução das investigações. "Colocar em dúvida a seriedade de profissionais da segurança pública é um desserviço à Justiça, enfraquece a confiança nas instituições e contribui para a perpetuação da impunidade em crimes de violência contra a mulher", diz um trecho da nota. Baixo uso de recursos federais CGU apresentou relatório com os dados à Semulher nessa sexta-feira (6) Arquivo pessoal O Acre recebeu cerca de R$ 12 milhões em recursos federais, entre 2023 e 2025, para políticas de combate à violência contra a mulher, porém, não utilizou nem 20% desse valor nas ações. Em três anos, foram usados menos de R$ 2,4 milhões. A informação consta em um relatório da Controladoria Geral da União (CGU) apresentado em uma reunião com a Secretaria da Mulher do Acre (Semulher). O levantamento também avaliou o atendimento na rede de proteção às mulheres e destacou a baixa adesão do uso dos recursos encaminhados para serem distribuídos para assistência às mulheres. Em nota, a Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Acre (Sejusp) afirmou que os dados mostram apenas os valores repassados e efetivamente executados, ou seja, relativos a despesas que já saíram na conta bancária. Com isso, não são contabilizados os valores empenhados de contratos já firmados e em execução e os valores aprovisionados de processos administrativos em andamento, já reservados para posterior empenho. Segundo a pasta, a execução real das ações é superior aos dados que aparecem publicamente e que as contas bancárias apresentam também rendimentos financeiros, o que aumenta o saldo total disponível. A secretaria garante que, na prática, a execução real é mais ampla, pois inclui as etapas de despesas em curso. Segundo o relatório, que é baseado em informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública, em 2023, o Acre recebeu R$ 3,8 milhões do governo federal e utilizou apenas R$ 1,3 milhão. Em 2024, o repasse foi de mais de R$ 4,5 milhões, porém, o estado só gastou R$ 112 mil. No ano passado, o valor enviado chegou a R$ 4,6 milhões, mas somente pouco mais de R$ 60 mil foram gastos. De acordo com o superintendente da CGU no Acre, Osmar Nilo, a Secretaria Nacional de Segurança Pública envia os recursos para a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), que faz o gerenciamento desses valores. “O que tem se visto é uma baixa execução em relação aos recursos efetivamente enviados nos anos de 2023, 2024 e 2025. Nesses anos constam mais de R$ 12 milhões disponíveis para a execução do governo do Estado. E o que nós temos de informação, até o momento, é que o governo já planejou a execução desses recursos e está para a execução”, detalhou. Relatório também avalia o atendimento na rede de proteção às mulheres Arquivo À época, ainda secretária, Márdhia disse que a auditoria feita pela CGU tem como foco o atendimento feito às mulheres vítimas de violência nos centros de referência. "Isso é uma auditoria que é realizada a pedido do Ministério das Mulheres em todo o país e o Acre não vai ficar fora, a gente vê de forma positiva até para que seja feito um diagnóstico de como está em todo o Brasil”, afirmou. Maior taxa de feminicídios do país Com 14 feminicídios em 2025, o Acre é o estado brasileiro com a maior taxa proporcional de assassinatos contra mulheres, estimada em 1,58 casos por 100 mil habitantes, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) obtidos pelo g1. No ranking nacional por números absolutos, o estado aparece à frente do Amapá (9 casos) e de Roraima (7). Em comparação com 2024, quando foram registrados oito feminicídios, o Acre teve um aumento de 75% no total de casos em 2025. Relembre as vítimas aqui. Com isso, o estado voltou a atingir o pico da série histórica dos últimos 10 anos, repetindo os patamares observados em 2016 e 2018, que também fecharam com 14 ocorrências cada. O cenário de violência contra a mulher reflete a necessidade de políticas públicas efetivas de proteção. Para a estudante Elizadora Ribeiro, é necessário colocar em prática o que se tem discutido sobre segurança para as mulheres. “Não temos seguranças para andar na rua. O máximo que a gente recebe é um panfletinho, é uma palestra, mas quando a gente se vê numa rua escura não tem para onde correr. Então, eu acho que falta muita coisa”, declarou a estudante. Cenário de violência contra a mulher reflete a necessidade de políticas públicas efetivas de proteção Reprodução A dona de casa Gabrielli Costa também afirma não se sentir segura em sair de casa e que não se sente protegida pelas políticas públicas. “A gente tem sim muitas leis, mas não temos a praticidade daquilo. Não podemos sair sem ao menos se sentir insegura com qualquer coisa. A gente não quer se tornar estatística”, pontuou. Reveja os telejornais do Acre