'A gente nunca vai viver feliz por completo', diz mãe sobre denúncia contra assassino da filha 20 anos após o crime no Paraná
Após 20 anos, mãe de vítima fala sobre sensação de justiça Em casa, Cristina Aparecida Costa ainda guarda as fotos da filha Giovanna dos Reis Costa. A men...
Após 20 anos, mãe de vítima fala sobre sensação de justiça Em casa, Cristina Aparecida Costa ainda guarda as fotos da filha Giovanna dos Reis Costa. A menina foi assassinada quando tinha nove anos de idade, em 2006. Por quase 20 anos, o caso ficou arquivado e, sem expectativa de uma resposta, restou à mãe sonhar como seria o convivio com a filha. Porém, em fevereiro de 2026, o caso teve uma reviravolta depois que Martônio Alves Batista, de 55 anos, foi preso preventivamente pelo crime em Londrina, no norte do Paraná. Na última sexta-feira (6), o Ministério Público do Paraná denunciou o homem. ✅ Siga o canal do g1 Londrina e região no WhatsApp Para a família, a denúncia representa um passo à possibilidade de justiça. "Quando a gente recebeu essa notícia, a gente ficou muito feliz. A gente vai conseguir respirar direito sabendo que ele vai pagar pelo o que ele fez. Isso conforta a gente. Hoje o coração está aliviado: aliviado em saber que quem fez o que fez com a Giovana agora está preso", afirma a mãe. No entanto, Cristina reforça que nada suprime a ausência de Giovanna durante todos esses anos. "A gente tem outros filhos, eu tenho netos. Só que a vida da gente não é a mesma coisa, sempre vai faltar algo, que é ela. A gente nunca vai viver feliz por completo. Sempre tem essa saudade", lamenta. Cristina Aparecida Costa ainda guarda as fotos da filha Giovanna dos Reis Costa RPC LEIA TAMBÉM: Vídeo: Segurança presencia assalto violento, fica olhando sem fazer nada e polícia decide indiciá-lo por roubo Entenda: Homem vende carro, registra furto e é preso após polícia encontrar veículo com compradores Investigação: Operação da PF afasta cinco servidores da prefeitura após investigação de ameaças contra ex-candidata e compra de votos Investigações foram reabertas após nova denúncia Giovanna desapareceu no dia 10 de abril de 2006 enquanto vendia rifas escolares perto de casa, em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba. Dois dias depois, em 12 de abril de 2006, o corpo dela foi encontrado em um terreno baldio, envolto em sacos plásticos e amarrado com fios elétricos. A vítima também tinha "sinais extremos de violência sexual", segundo a polícia. Martônio Alves Batista tem 55 anos e foi preso preventivamente em Londrina. Reprodução À época, Martônio foi considerado um suspeito por ser vizinho da família. Entretanto, não houve pedido de prisão contra ele e a investigação seguiu com outros suspeitos. Em 2012, três pessoas foram julgadas pelo crime e inocentadas. O crime ficou sem solução por quase 20 anos, antes da reabertura do inquérito a partir de uma denúncia realizada por uma ex-enteada do homem, que relatou que ele cometeu abusos sexuais contra ela. A jovem contou que foi vítima dele dos 11 aos 14 anos, mas afirmou que não contou a ninguém porque ele a ameaçava dizendo que ela seria "a próxima Giovanna". Anos depois, já adulta, descobriu, com a ajuda de um advogado, que a "Giovanna" citada nas ameaças era Giovanna dos Reis Costa. Crime prescreveria em dois meses Momento da prisão de Martônio, em Londrina. PC-PR A investigação sobre o assassinato de Giovanna foi reaberta dois meses antes de prescrever, segundo a delegada Camila Cecconello. Depois da conclusão do inquérito, a Polícia Civil o encaminhou para o Ministério Público, que ofereceu denúncia à Justiça. O Ministério Publico denunciou Martônio pelos crimes de homicídio qualificado por motivo torpe, com uso de meio cruel (asfixia) e recurso que dificultou a defesa da vítima. O MP sustenta ainda que o crime foi cometido para assegurar a impunidade após um crime anterior (violência sexual contra a menina). Isso ocorre devido à diferença de penas máximas para cada crime, conforme Art. 109 do Código Penal. Se um crime tem pena máxima de três anos, como ocultação de cadáver, ele prescreve em oito anos. Se a pena chega a dez, como é o atentado violento ao pudor, prescreve em 16 anos. O MP ressalta que a investigação também identificou que ele cometeu atentado violento ao pudor e ocultação de cadáver. Entretanto, esses dois crimes prescreveram. O homicídio qualificado prescreve em 20 anos, porque a pena máxima pode chegar a 30 anos. Além da condenação, o MP solicitou que Martônio pague R$ 100 mil aos familiares de Giovanna e que eles tenham atendimento multidisciplinar "com os custos pagos pelo agressor ou pelo Estado". Giovanna tinha nove anos quando foi morta. Arquivo/RPC LEIA MAIS SOBRE O CASO: Sacola, fio e casa limpa: Entenda provas que ligaram suspeito ao assassinato da criança Inocentes foram presos: Antes de autor ser localizado, três inocentes foram réus por suposto 'ritual' Suspeita de 'ritual satânico', réus inocentados e reabertura do caso: Veja linha do tempo dos quase 20 anos de investigação O que diz a defesa? O advogado responsável pela defesa de Martônio Alves Batista informou que acompanha o caso e que discorda da condução do caso. Confira o posicionamento na íntegra: "A defesa técnica informa que, no curso do inquérito policial, foram formalmente requeridas diligências investigativas com fundamento no artigo 14 do Código de Processo Penal e nas prerrogativas profissionais asseguradas pela Lei nº 8.906/94 (Estatuto da Advocacia). Tais diligências constituem instrumento legítimo para o exercício do direito de defesa e são essenciais para o completo esclarecimento dos fatos investigados, em observância aos princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. Entretanto, antes mesmo da apreciação desses requerimentos defensivos, o Ministério Público optou por oferecer denúncia, circunstância que será devidamente questionada pelas vias processuais cabíveis. A defesa entende que a investigação criminal deve buscar a verdade real, garantindo equilíbrio entre acusação e defesa, motivo pelo qual serão adotadas todas as medidas jurídicas necessárias para assegurar o respeito às garantias fundamentais do investigado." VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná u Leia mais notícias no g1 Paraná.